O Museu Coleção e Jardim Exposições Fototeca Actividades Educação Edições
 

 

Luís XIV, protector das Artes
da autoria do círculo do Pintor Nicolas Mignard (1606-1668).

Óleo sobre tela
PN-12 (a-110cm X l-93,5cm)

“(…) esta obra relaciona-se manifestamente com a arte dos Mignard, autores de inúmeros retratos da corte de Luís XIV. (…) O retrato “dentro do quadro”, de muita boa qualidade, com o monarca virado para a direita coincide quase integralmente com uma gravura de Nicolas de Poilly, todas elas derivadas de Nicolas Mignard. (…) A composição de Braga é extremamente elaborada. Dois anjos de joelhos por terra, um manto rosado, outro de manto azul, seguram um retrato rectangular com o busto de Luís XIV, que dois outros anjinhos acabam de revelar aos olhos do espectador, retirando o reposteiro de veludo púrpura que cobria. Uma dobra do reposteiro ainda se vê por cima da moldura, a marcar a cabeça do monarca. Quase todas estas figuras olham deliberadamente na direcção do espectador, e o anjinho na parte superior, à esquerda, aponta para o rei. Em baixo, espalhados pelo chão, encontram-se atributos das Belas Artes e Artes Liberais, instrumentos musicais, uma paleta com pincéis, um modelo de escultura, compasso, esquadros, um livro aberto, etc. A pintura glorifica o monarca francês na sua qualidade de protector, mecenas e conhecedor das artes, tema, entre outros, de uma pintura de 1671 de Jean-Baptiste Garnier no Palácio de Versalhes.
De longa cabeleira, bigode fino, com uma faixa de cetim por cima da couraça e com uma gravata delicadamente bordada à volta do pescoço, o Rei Sol fixa o espectador do quadro dentro do quadro, ou seja, a partir de um espaço duplamente afastado do plano da realidade, do plano do espectador. Pela factura que evidencia um tratamento naturalista e também por contraste com o que o rodeia – espaços indeterminados, anjos, reposteiro – o retrato ganha como que uma valia de realidade, ou de presença, que, curiosamente, ainda acentua mais a distância que separa a augusta figura do comum dos mortais. O retrato do Rei Sol é de facto proposto de longe, por quatro figuras celestiais, à veneração dos mortais, como se de um ícone se tratasse, ou de um precioso relicário só a alguns eleitos revelado.”

Luís de Moura Sobral


In Pintura Estrangeira dos Séculos XVI, XVII e XVIII da Colecção Nogueira da Silva, ed. MNS/UM, 1995.

NOTA: Excerto de um dos diversos textos de Luís de Moura Sobral, sobre a coleção de pintura do Museu Nogueira da Silva, após o seu estudo. Um contributo inestimável para a construção dos conteúdos sobre esta coleção.

 
 


Tinteiro chinês de porcelana da china
, séc. XIX.
Tinteiro representando um canteiro gradeado com carpa, na parte central, servindo de recipiente para a tinta. Os suportes para pincéis são representados por bambus, e duas pequenas peónias em relevo. A carpa, peixe de água doce originário da china, está associada, na simbologia oriental, à longevidade, riqueza, abundância e perseverança. Expressa também votos de êxito a um letrado para que alcance superioridade intelectual.
CR-206
Comprimento - 14,5 cm
Largura -7,8 cm
Altura – 3,8 cm

(…) Chegados a Cantão em 1514 puderam os Portugueses fazer larga provisão de magníficas louças de porcelana, matéria preciosa e rara, conhecida na Europa através do comércio de Veneza com o Oriente. O acesso directo à produção destes artigos de luxo – cuja matéria-prima a Europa ignorava, mas à qual se atribuíam qualidades portentosas, exerceu uma poderosa atracção estética e comercial nos nossos navegadores: não só trouxeram para Lisboa grandes quantidades de porcelana, produzida durante os últimos reinados de dinastia Ming, como ainda ousaram “encomendar” às fábricas chinesas a partir de 1521, peças e serviços (…) e, assim desde muito cedo se iniciou certamente o gosto pelo coleccionismo que permitiu que chegassem aos nossos dias, particularmente acarinhados, alguns exemplares das primeiras encomendas de porcelana com inclusão de elementos europeus na sua decoração. (…)
Maria Manuela Soares de Oliveira Mota

Maria Manuela Soares de Oliveira Mota (1989) “Porcelanas - Quatrocentos anos de Coleções Reais” in Porcelanas Orientais do Palácio Nacional da Pena, Lisboa, Instituto Português do Património Cultural

 
 


Retrato do ator Ichikawa Ebizo,
no papel de Soga (guerreiro) no Goro Tokimune. Xilogravura do artista Utagawa Kunisada, assinatura Gototei, utilizada pelo artista entre 1811-1840. O selo do censor é de Kiwame (1719-1842). A imagem do selo não muito clara: Ezakiya Kichibei?
GR-43
Larg. 24 cm – Alt.35 cm

Largura-11,6 cm
Altura-17,2 cm


setembro 2021


Utagawa Kunisada (1786-1865), gravador japonês muito popular e bastante profícuo, ao longo de cinco décadas de vida artística, realizou uma considerável quantidade de xilogravuras. Desconhece-se detalhes da sua vida pessoal, nascido em Edo (actual Tóquio), filho de um poeta amador, desde cedo evidenciou um enorme talento para o desenho e pintura. As suas capacidades impressionaram grandes mestres japoneses, nomeadamente da Escola de Utagawa que o convidaram a ingressar, tendo-se mais tarde destacado como um dos seus alunos mais consagrados. Ousado nas cores e nos traços que imprimiu às suas obras, procurou estar em sintonia com os gostos dos seus compradores, desenvolvendo vários temas: paisagens, animais e figuras humanas. É relevante, na sua extensa obra, as notáveis xilogravuras de atores famosos e populares que representaram no auge do teatro Kabuki. O artista proporcionou uma grande visibilidade ao teatro do Japão, numa época em que suas obras eram a única forma de documentar a actividade teatral japonesa. As suas xilogravuras fazem parte de importantes acervos museológicos, nomeadamente: British Museum, Metropolitan Museum of Art, Museum of Fine Arts, Boston e Vanderbilt University Fine Art Gallery. .

 
 

 

Desenho a tinta da china,
representado um barco, executado pelo Rei D. Carlos I, possivelmente na Baía de Cascais, local de veraneio da família Real Portuguesa. Assinado e datado, 1897.
D. Carlos nasceu em Lisboa, no Palácio da Ajuda, em 1863. Filho de D. Luís I e D. Maria de Sabóia. Em consonância com o seu estatuto de príncipe herdeiro, recebe refinada educação nas Artes, nas Letras e nas Ciências. Casa com D. Amélia de Orleães, neta do rei de França, D. Luís Filipe, de quem vem a ter três filhos: o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, D. Maria Ana e o infante D. Manuel, que haveria de ser rei, o último antes da revolução de 1910. D. Carlos é aclamado rei em 1889, após a morte do seu pai, com 26 anos. Morre em Lisboa em 1908.
DS-1
Largura-11,6 cm
Altura-17,2 cm


julho 2021

Estas panorâmicas de Cascais integram álbuns, encadernados e de grandes dimensões, com apontamentos e registos dos passeios reais, reflectindo uma curiosa sensibilidade
pictórica e grande qualidade técnica, que por vezes associa a aguarela e a tinta-da-china, em páginas criativas de dinâmicas manchas estilísticas. Fialho de Almeida afirmava que o rei se esforçava “por pintar em português”, representando mares próximos da capital, e especialmente na zona de Cascais, onde a família real estanciava. Afastado de mundanidades mas também do governo do país, numa monarquia polémica e contestada, desenvolvia o seu interesse pelos temas marítimos, pouco habituais na pintura portuguesa. O seu sensitivo tratamento da luz, em captações vigorosas de mar (…) e assumem uma talentosa dimensão artística, habilmente desenvolvida na sua produção de marinhas.

Maria Aires Silveira

In MNAC: Baía de Cascais (museuartecontemporanea.gov.pt).

   
 


B
om Pastor,
Séc. XVII, escultura de marfim Indo-Portuguesa.

Descreve a conhecida parábola cristã evangélica do bom pastor (Cristo) que guarda e defende as suas ovelhas (fiéis), procura e traz para o rebanho a ovelha perdida (o pecador).

ES-87 Altura: 9cm Largura: 4,5cm

maio 2021


(…) Conforme testemunhos existentes nas catacumbas romanas, a iconografia cristã surge nos primeiros tempos do cristianismo. A sua progressiva elaboração apoiou-se na ideia de que nada é mais claro ao espírito humano do que as imagens e os símbolos. Antes de se tornarem objectos de culto já representavam o papel de “livros dos iletrados”, suportes materiais esclarecedores das abstracções do discurso teológico, veículos seguros da doutrinação. Transpondo fronteiras linguística, a eficácia da iconografia cristã na pregação silenciosa sustentou o trabalho de cristianização na pregação silenciosa sustentou o trabalho de cristianização dos povos, relatando histórias, etapas dos Evangelhos, vidas de santos, tudo de forma clara e directa. Estruturada dentro deste projecto, não permitia obscuridades ou interpretações subtis: falou com objectividade e clareza. Um gesto, um detalhe ou um simples atributo simbolizam a mensagem proposta pela iconografia. (…) A figuração do Bom Pastor é uma das mais antigas da iconografia cristã. Remonta à fase em que o cristianismo, contestado e perseguido, se esconde nas catacumbas romanas, reinterpretando conhecidas formas helenísticas. (…) Na vitoriosa caminhada do cristianismo enquanto poder, esta doce figura, entre outras, desaparece. (…) Por volta dos séculos XIII e XIV, ao longo de todo o século XV, sob a luz do nascente humanismo, ocorreriam mudanças. O Renascimento faria o esplendor da arte cristã e o movimento político-religioso que foi a Contra-Reforma direccionou a produção iconográfica para rumos diversos: se, por um lado, introduziu temas dramáticos e emocionais, produziu também uma iconografia que retomou a doçura do cristianismo. Dentro deste programa ressurge a figura do Bom Pastor. (…)

In Arte do Marfim, ed. Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Porto, 1998

   
   
 


Cristo de marfim indo-português

da segunda metade do século XVIII, com base de madeira ao gosto neoclássico e resplendor em prata.
ES-161 Alt.35,cm Larg. 24 cm

abril 2021


Sereno, dramático, lacerado, trágico, lírico. A trajectória da agonia mostra-O vivo, agonizante e morto; neste último caso, é quase regra encontra-Lo com a cabeça tombada à direita. Segundo a tradição, a fixação da cruz foi orientada para os quatro pontos cardeais. A face tombada à direita indicava a direcção de Roma, de onde surgiria a Sua Igreja. O ângulo de abertura dos braços foi interpretado como mensagem. Abertos na horizontal, simbolizavam a salvação de toda a Cristandade. Nos crucificados onde a abertura é mínima e faz quase um V, de acordo com a doutrina herética jansenista (Cornélio Jansen, 1585-1638), simbolizavam advertência quanto ao reduzido número de predestinados à felicidade eterna.
Verificada a falta de fundamento nesta interpretação, tudo leva a crer que considerações atinentes ao resultado plástico seriam as principais determinantes na angulação dos braços. A coroa de espinhos integrada na cabeça é conhecida desde o século XIII, mas não se torna regra nem mesmo no século XVI, quando é mais frequente. A chaga no peito aberta pelo golpe de lança aparece regularmente à direita. Embora, raras, existem figurações com a chaga no lado esquerdo.
Segundo a tradição, a veste usada por Jesus na crucificação foi o “subligaculum”, espécie de faixa que envolvia rins e coxas, um tipo de calção de uso quotidiano. Na Alta Idade Média, Jesus foi representado vestindo túnica longa, deixando mãos e pés descobertos.
Dentro de pequenas variantes, a veste actual, e que guarda afinidades com o “subligaculum”, é conhecida desde o Renascimento. Nada mais é que uma faixa estreita de pano envolvendo o corpo abaixo da cintura, amarrada à direita. Em casos raros, o laço de acabamento faz-se à esquerda.
O número de cravos que O prendiam à cruz foi, entre todas, a questão que mais dúvidas suscitou. Até ao século XIII, foi regular o uso de quatro cravos – um para casa mão, e um para cada pé -, separados. A partir de então e até ao século XVI, preferiu-se o emprego de três cravos, representando-O com os pés sobrepostos.(…)


In Arte do Marfim, ed. Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Porto, 1998

   
   
   
   
   
   

Terça a Sexta: 10:00 – 17:00
Sábado: 14:00 – 18:00
Encerra à Segunda-feira e Domingo

 

Av. Central 61
4710-228 Braga  Portugal

+351 253 601 275

sec@mns.uminho.pt

   

mns ©2021